sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Decisão

Decisão
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Fechou a porta da casa
como quem fecha a porta do mundo,
machucou sonhos, perdeu asas,
atrapalhou-se na vida
de tão longas que são as estradas.
-
Em um segundo
compadeceu-se da própria dor,
não era a mesma pessoa,
ressentida,
não tinha mais a sua busca segura,
faltava o ardor que dá o alento
a quem procura
um amor feito com ternura.
-
O desespero correu nos seus olhos
é tão fria a lágrima rolando no rosto,
vira queimadura que arde n’alma
e corre em forma de desgosto.
-
Pensou na vida com pânico,
assusta e de súbito traz temor.
-
Não tinha nenhuma ilusão,
perdeu quase tudo na vida.
-
A sogra incomodava gritando na varanda,
não tinha homem, não tinha marido...
aquilo que tinha nada era não...
os filhos criados já estavam no mundo...
-
Sorriu no próprio desalento
de um recomeço tão amargo.
-
Não há quem não tenha sentimento.
-
O homem furungava no pátio do fundo,
tentava da vida se esconder,
a sogra ligou bem alto a TV,
procurando a todos endoidecer.
-
Não era crível tanta loucura,
irracional aquela disputa.
-
Ninguém percebeu quando o portão do mundo se abriu;
“Com licença, eu vou a luta,
Mereço mudar o meu viver.”
-
Fechou o portão, e saiu...
-



Nenhum comentário:

Postar um comentário