sábado, 2 de janeiro de 2016

Cotidiano

Cotidiano
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Penso que existo,
fizeram isto pra mim.
Na real só assisto.
Vida sem vida,
viver assim,
um jogo na TV,
parei pra ver,
tá bom pra mim.
Mas a que me refiro?
A corrupção,
açoite que assola,
corrompe e esfola,
gente perdida.
No gramado corre a bola.
E eu? Assisto.
De dor me deprimo
peno na fila do SUS,
na esquina um moço de capuz,
na fila do banco
uma mulher em planto.
Não me redimo,
não posso penar,
meu salário uma esmola.
O guri de capuz
afina na corrida,
pega o coletivo,
vai batalhar a sua vida.
Honrado e trabalhador,
um guri ativo,
também futuro cativo.
Eu vivo de susto,
isto não é justo,
ainda morro de surto.
Entro num bar pra beber,
fico tão triste,
não tem jogo na TV.
Penso que existo,
na real só assisto.
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