domingo, 7 de fevereiro de 2016

Síndrome do Ninho Vazio

Síndrome do Ninho Vazio
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Então você, acomodado no sofá da sala,
sente o vazio de não ter com quem dividir a TV,
a mulher arruma o quarto e capricha,
na cama o lençol espicha,
o guarda roupa bem cuidado
até parece que fala;
“porque as crianças devem crescer?”.
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O almoço sairá na hora,
Ninguém vai reclamar das verduras,
ninguém vai chorar naquela hora,
não haverá belisco na salada,
nem dedinho no bolo de cobertura.
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Depois do almoço um sono reparador,
sem preocupação com o horário da escola.
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Na rua as crianças jogam bola,
O barulho não deixa você dormir descansado,
a mulher, agora, costura um avental de assador.
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Você levanta,
olha o serviço e reclama,
a resposta é um sorriso maroto,
um beijo no rosto
carinho de quem ama.
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A noite, na varanda,
em meio a uma conversa,
brincadeira amena,
a espera de um telefonema.
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Decisão

Decisão
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Fechou a porta da casa
como quem fecha a porta do mundo,
machucou sonhos, perdeu asas,
atrapalhou-se na vida
de tão longas que são as estradas.
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Em um segundo
compadeceu-se da própria dor,
não era a mesma pessoa,
ressentida,
não tinha mais a sua busca segura,
faltava o ardor que dá o alento
a quem procura
um amor feito com ternura.
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O desespero correu nos seus olhos
é tão fria a lágrima rolando no rosto,
vira queimadura que arde n’alma
e corre em forma de desgosto.
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Pensou na vida com pânico,
assusta e de súbito traz temor.
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Não tinha nenhuma ilusão,
perdeu quase tudo na vida.
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A sogra incomodava gritando na varanda,
não tinha homem, não tinha marido...
aquilo que tinha nada era não...
os filhos criados já estavam no mundo...
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Sorriu no próprio desalento
de um recomeço tão amargo.
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Não há quem não tenha sentimento.
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O homem furungava no pátio do fundo,
tentava da vida se esconder,
a sogra ligou bem alto a TV,
procurando a todos endoidecer.
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Não era crível tanta loucura,
irracional aquela disputa.
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Ninguém percebeu quando o portão do mundo se abriu;
“Com licença, eu vou a luta,
Mereço mudar o meu viver.”
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Fechou o portão, e saiu...
-



quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Déjà Vu

Déjà Vu
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Na luz dos teus olhos encontrei a paz
que havia perdido
nos descaminhos da vida.
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Meu passado é uma história atribulada.
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Viajava, na vida, como passageiro clandestino,
sem rumo, solto, sem destino.
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Não havia parada certa,
nem abrigo,
era incerto o que teria pela frente,
sabia, simplesmente,
que o meu termo estava no porvir,
e isto me atemorizava,
pois sem rumo, perdido,
escravo e amargurado,
eu vagava, vagava...
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Foi na dobla de uma esquina,
qualquer, da existência,
realidade que não tinha mais,
algo mudou tão de repente.
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Você surgiu na minha frente
e o seu acalento trouxe a paz,
minha jornada tomou outra referência.
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Eu senti na força da luz dos olhos seus
o apoio da sua mão estendida.
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Foi veemente quando me deste a mão.
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Com o seu amparo levantei,
na vida não era mais um cativo.
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Infelizmente
os mesmos caminhos tortos que lhe trouxeram
levaram a sua alma tão pura
para longe, bem distante
dos olhos meus.
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Você foi morar com Deus.
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Desamparado
chorei ter perdido um grande amor,
mas não voltei a ser errante,
pois a sua presença não perco nunca mais.
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A luz dos seus olhos, a força do seu amor
estarão sempre comigo,
vá onde quer que eu for.
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E eu passo por todas as estradas
diferente por não procurar a sua luz,
pois a luz olhos seus eu trago comigo.
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Procuro, isto sim, encontrar em cada estrada
um momento déjà vu.
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Poemas Soltos

Poemas Soltos
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Poemas soltos pelo mundo,
alguns perdidos, extraviados,
em pedaços de papel, surrados
e amassados.
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Poemas que falam em dores,
Outros falam em amores.
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Voarão na eternidade sem fim,
em dor,
na espera, quem sabe, de um leitor.
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Lá adiante,
quando eu for alma passada
que da vida foi amante,
talvez alguém diga meu nome num suspiro,
agradecido, quem sabe por nada.
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Achará interessante
por ser da vida, também, amante.
-
E Eu?
Num paraíso sereno

ou num vazio que muito temo.
-

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Sentimento do Amor Total - soneto

Sentimento do Amor Total – soneto
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Encontrou um espectro, farrapo em ruína, deitado na avenida,
afirmou estar ciente da dolorida luta que tinha pela frente,
enalteceu com elogios sinceros qualidades não percebidas,
vestiu roupa de guerreira, forte, mas envolveu-se suavemente.
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Quando o mundo deu as costa o teu amor mostrou-se presente,
era contigo o dever de levantar das cinzas aquela alma perdida
se não existisse este sentimento tudo ficaria sem fundamento,
venceu todas as tuas dores, amargura e até as dúvidas.
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Nos pés de Santo Expedito um rio de lágrimas sofridas,
mais do que a fé no santo consolador era a força do teu amor,
tinhas consigo a firme vontade de terminar esta dor.
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Em cada deslize nas drogas ou bebida choravas a recaída,
mesmo assim não desistia, lutavas incessante com mais e mais ardor,

tragico foi quando ti deram a notícia: havia um corpo na avenida.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Separação que marca

Separação que marca
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Quando dei por mim não ti amava mais,
verdade, foi quase sem querer que percebi
que a tua presença na minha vida era passado.
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Tu de ancora e sustento virou objeto obsoleto
barco levado ao vento, afastado da beira do cais,
partiste e eu, enclausurado na tormenta, não vi.
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De fato eu ti amava e tu recusaste o meu amor,
de brisa o vento virou vendaval,
matas-te o amor que eu tinha no peito, perdi, fui mal,
mas ti perdendo ganhei a vida, pude recomeçar.
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Não contem os gregos e troianos que é fácil o recomeço,
bem sei, recomeçar do nada é uma longa jornada.
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Pra ti foi fácil mentir, iludir e caluniar,
pra mim, foi terrível ser acusado e caluniado,
a dor da mentira não tem preço.
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Passou o tempo e a Providência mostrou toda a verdade.
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A maldade que fizeste o Destino cobrou preço pesado.
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Verdade, não fico triste, menos ainda chateado,
passou, página virada de um livro mal escrito.
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Hoje, bens sabes, não resta mágoa, só indiferença,
e se cruzares na minha estrada passo para ao lado,
por nada não, só para evitar a tua presença.

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Lupy

Lupy
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Velho cão rottweiler de fibra, valente,
hoje está doente, cansado e idoso,
no entanto não perde a pose, brioso,
ostenta a alma guerreira e o brio  
de quem nunca negou seu garbo viril.
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Valoroso, não tiveste uma vida sutil,
mas foste sempre muito gentil.
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Tropicas no andar,
eras tão altivo.
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Acredito que pouco enxergas
e lembro que eras ativo,
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Hoje tu ficas assim, deitado,
não importa onde, qualquer é teu lugar.
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Talvez tu pense na vida que teve,
nas vezes que me acompanhava
em longas caminhadas.
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Não tinha sol, chuva ou frio
amigo zeloso, alegre e servil,
sempre foi feliz o meu chegar.
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Amigo estarei sempre contigo
até o fim da nossa jornada.
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