sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Companheiro Ausente

Companheiro Ausente
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Eu sinto ainda a tua frequência dentro de mim,
é difícil lidar com a tua ausência
depois que a tua presença incorporou na minha alma
como a obra incorpora a imagem de um artista de botequim.
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É como uma sonata indefinida que paira no ar,
as vezes suave, como um córrego de água serena,
que, de tão pura, fixa no espirito e acalma,
outras vezes maremoto de águas turvas, ameaçadoras,
arrasa a terra bendita que deu frutos, flores e palmas.
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Tua voz imperturbável, fina e penetrante,
até naqueles momentos, desafiantes.
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Tudo marcou de fato a minha essência.
-
Encontrar-te pela manhã num corredor da vida,
“-sentido, firme, continência...”
nada de fato importava,
eras um exemplo a ser seguido.
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Partiste sem dizer adeus, abrandado na própria existência.
-
É doloroso copiar uma obra inacabada,
corroída nesta guerra sem fim contra a malícia
de homens que disputam as dores da permanência
na terra varrida, arrasada e ensanguentada.
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Foste, de herói a só mais uma vítima,
meu amigo e companheiro sargento de milícia.

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